O Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma nova de descida das taxas de juro diretoras esta quinta-feira, 30 de janeiro. O novo corte, que à semelhança dos anteriores é de 25 pontos base, coloca a taxa de depósitos nos 2,75%, o valor mais baixo desde fevereiro de 2023.
Esta é a quinta vez que o BCE desce as taxas de juro, num caminho que começou em junho do ano passado, depois de a taxa de depósitos ter atingido o pico de 4% entre setembro de 2023 e maio de 2024.
Em comunicado, a autoridade monetária explica que "a decisão de reduzir a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito – a taxa através da qual o Conselho do BCE define a orientação da política monetária – baseia‑se na avaliação atualizada do Conselho do BCE das perspetivas de inflação, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária".
Além da mexida na taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito, o BCE reviu também a taxa aplicável às operações principais de refinanciamento e a taxa de cedência de liquidez. Ambas sofreram um corte de 25 pontos base para 2,90% e 3,15%, respetivamente.
Todos estes cortes têm efeitos a partir do dia cinco de fevereiro.
BCE confiante de que inflação deve voltar aos 2% este ano
No mesmo comunicado, a autoridade liderada por Christine Lagarde volta a afirmar que "o processo desinflacionista está bem encaminhado" e a evoluir da forma esperada. Assim, diz o BCE, a inflação "deverá regressar ao objetivo de médio prazo de 2% do Conselho do BCE no decurso deste ano".
Ainda assim, a inflação interna mantêm-se elevada, "sobretudo porque os salários e os preços em determinados setores ainda estão a ajustar‑se, com um desfasamento substancial, à anterior subida acentuada da inflação".
Tal como é natural, a descida nas taxas de juro por parte do BCE tem impacto naquilo que os consumidores pagam para ter acesso a crédito. Tal como diz o comunicado, as recentes reduções "decididas pelo Conselho do BCE estão a tornar gradualmente a contração de novos empréstimos menos onerosa para as empresas e as famílias".
No entanto, o banco central destaca que "as condições de financiamento mantêm‑se restritivas, também porque a política monetária continua a ser restritiva e os passados aumentos das taxas de juro ainda estão a ser transmitidos ao stock de crédito, com alguns empréstimos vincendos a ser renovados a taxas mais elevadas".
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O que esperar do próximo corte? O BCE não diz
No final do ano passado, muitos especialistas projetavam que o Banco Central Europeu iria continuar o caminho de corte de juros que iniciou em junho. E na primeira oportunidade que teve, o BCE fê-lo. Ao mesmo tempo, acreditava-se que havia a possibilidade de chegar a junho com a taxa de depósitos nos 2%.
Se é possível ou não, só o BCE o dirá... mas no tempo certo. Por agora, o banco central não se compromete e diz apenas que "está determinado a assegurar que a inflação estabiliza, de forma sustentada, no seu objetivo de médio prazo de 2%" e que "seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para decidir a orientação apropriada da política monetária".
"Mais especificamente, as decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro basear‑se‑ão na sua avaliação das perspetivas de inflação, à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. O Conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica", acrescenta.
Ainda assim, a presidente do BCE, Christine Lagarde, considera que ainda é cedo para falar sobre o momento em que os cortes vão parar: "Não discutimos sobre quando temos que parar", afirmou em conferência de imprensa.
A próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu está marcada para os dias cinco e seis de março.
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